Do Outro Lado da Cerca: Alien Syndrome – Parte 1 de 2

Alien Syndrome – Arcade / Sega Master System / Famicom / Game Gear / MSX / PC-DOS / Amiga / Atari ST / Commodore 64 / PlayStation 2 / PlayStation 3 / Xbox 360 (1985)

 

Eu adoro o fato de que vários jogos arcade dos anos 80 são cópias descaradas de filmes de ação americanos. After Burner é o Top Gun. Renegade e Double Dragon são praticamente Warriors – Os Selvagens da Noite. E todos os jogos de ação da Data East (Heavy Barrel, Thunder Zone, Bloody Wolf, etc.) são amálgamas de todos os filmes estilo Rambo já feitos. O Alien Syndrome da SEGA é claramente uma cópia de Aliens, já que a Konami tinha a licença do filme (e fez o seu próprio jogo arcade). O remake de 2007 descreve Alien Syndrome como “uma ameaça que com um mero toque pode transformar homens e máquinas em terrores alienígenas indescritíveis”. E naturalmente, esta doença deve ser destruída.

Alien Syndrome

Alien Syndrome

Apesar de Alien Syndrome ser um shooter típico visto de cima, é bem distante dos jogos lineares, como Commando. Os jogadores controlam os comandos espaciais  Ricky ou Mary (que não possuem qualquer relação com Michael Biehn ou Sigourney Weaver), ou ambos, numa partida com dois jogadores simultâneos. Cada uma das sete fases se passa em uma das colônias invadidas, onde os alienígenas aprisionaram os humanos em ovos e contaminaram biologicamente a maioria das estruturas. Como um plano de segurança no caso de Ricky e Mary não conseguirem salvar o dia, cada uma das colônias está pronta para explodir depois de um certo período de tempo. Logo você está lutando contra o relógio na busca de reféns, encontrar a saída e matar o chefão. As fases não são muito complexas, mas existem mapas pendurados pelo caminho que dão dicas de onde encontrar os seus companheiros. Além da fraca arma de tiro normal, você também pode encontrar armas novas, como lasers e dois tipos diferentes de lança-chamas,além das opções que atiram para trás do seu personagem. Como inimigos aparecendo constantemente,  Alien Syndrome consegue emular a sensação de se jogar Gauntlet de um modo mais natural.

Alien Syndrome tem tolerância zero à erros. Você não tem continues sob qualquer forma. Enquanto as fases não são muito difíceis, alguns combates com chefes podem ser bem difíceis, especialmente se você for morto e voltar com a sua horrível arma inicial. Você até é forçado à usá-la no último combate, independente do quão bem você jogou até ali.

Versão Arcade

Apesar da frustração, Alien Syndrome tem alguns chefes com designs bem bacanas. O primeiro chefe é uma bola gigante com um carinha verde saindo do que vou chamar de ombro, por falta de termo melhor. Depois de levar um certo dano, o corpo explode, deixando para trás uma cabeça que se transforma em uma coisa deformada com um maxilar estendido e chifres ao atacar. O segundo chefe parece um coração pulsante, cercado de bolhas. O terceiro é uma criatura lenta e pesada, cheia de pernas e com olhos que se soltam e flutuam pela tela, o que parece meio besta e é meio assustador ao mesmo tempo. O sexto chefe é um gafanhoto alienígena com uma cabeça de bebê. O último chefe, que se infiltra na sua nave a la o final do filme Alien original, se parece com um rosto humano sem pele, com uma outra cabeça pendurada  em seu nariz, com orelhas enormes que disparam contra você. Vale a pena usar cheats na versã0 para MAME (ou ver a imagens abaixo) para ver algumas das terríveis e nojentas monstruosidades que a SEGA inventou. A pegada de “terror” do jogo foi seu principal atrativo quando lançado nos fliperamas, e ainda é a melhor parte deste divertido mas apenas razoável clássico.

Versão Arcade

Existem várias versões de Alien Syndrome para vários computadores. A versão para Commodore 64 é bastante decente, apesar do seu scroll de tela ser lento. As versões para Amiga e PC são idênticas graficamente, e tem alguns visuais redesenhados. Ambos tem um scrolling ruim, enquanto a versão para Amiga leva vantagem no som, mas tem fases à menos. Mesmo assim, ambos tem boa jogabilidade. A versão para X68000 , feita pela Dempa, é praticamente idêntica ao arcade. Todas as versões para computador exigem que você salve todos os refém ao invés de salvar só um certo número deles, o que é um pouco incômodo. A única outra versão quase perfeita de Alien Syndrome é destravável no Sonic’s Ultimate Genesis Collection para Playstation 3 e Xbox 360.

A versão para NES/Famicom – publicada pela Sunsoft no Japão e pela Tengen nos Estados Unidos – é relativamente fiel à versão arcade, até mesmo oferecendo a opção para dois jogadores simultâneos e um pequeno vídeo de abertura. Mas os personagens se movem muito mais devagar e você precisa salvar todos os prisioneiros para poder lutar contra o chefe de fase. O resultado é que o jogo ficou bem chato. Os chefes também são bem parecidos, mas alguns de seus ataques tiveram que ser diminuídos.

A versão para SEGA Master System do Alien Syndrome é praticamente um jogo inteiramente novo. O scrolling se foi, e ao invés disso você se move tela à tela, a la Legend of Zelda. Todas as fases são completamente diferentes (mas a primeira fase é desenhada á partir da segunda fase da versão arcade) e as fases parecem ser mais labirínticas. Alguns dos inimigos são os mesmos, mas a grande maioria é exclusiva para esta versão. Alguns chefes são os mesmos (mas um pouco alterados), mas a maioria deles é completamente nova, conseguindo ser tão incríveis quanto os chefes da versão arcade, apesar da paleta de cores ser menor. Há menos armas, só restando o lança-chamas e laser. Infelizmente, não há mapa disponível.

Infelizmente, o jogo ainda é mais impossivelmente difícil que a versão arcade. Cada sala começa vazia e os inimigos começam a piscar na tela. É muito fácil um inimigo acabar aparecendo debaixo de você te matando sem chance de reagir. A maioria das armas atira lentamente, logo se você atirar antes de um inimigo aparecer totalmente, o tiro passará direto por ele sem causar dano, te deixando indefeso for um instante, que pode ser a diferença entre a vida e a morte. O jogo parece também ser mal programado, com tudo se movendo à velocidades bem erráticas. Quando a sala é limpa, você fica bem rápido. Quanto mais inimigos aparecem, mais lento o jogo se torna. Slowdown constante não é uma coisa muito boa num jogo focado em ação.

E as lutas com os chefes? Nossa, elas são ainda mais difíceis, já que eles tem a tendência de encurralar você num canto e usar um ataque de três tiros que é quase impossível de se desviar tão de perto. E além disso, a detecção de hits é bem ruim e acertar o ponto fraco do inimigo parece ser uma simples questão de sorte. Novamente, não existem continues. Novamente, sua arma padrão é tão inútil que se você morrer, é melhor desistir de uma vez. Nem sei dizer se este jogo pode ser vencido sem save states. A única vantagem são os tremendamente assustadres gritos de morte, que são ainda mais altos que os da versão arcade.

A versão para Game Gear é, curiosamente, a melhor versão para consoles de 8 bits. De acordo com a abertura do jogo, esta versão é de fato uma continuação, que se passa cinco anos depois do Alien Syndrome original. A jogabilidade é basicamente a mesma da versão arcade, mas com quatro fases novas (em sua maior parte), apesar dos chefes serem os mesmos. Agora você pode acessar a tela do mapa à qualquer hora, e pode melhorar suas armas pegando o mesmo tipo de ítem duas vezes. O jogo ainda é assolado por slowdown e flickering, mas é bem bacana, e tem uma arte de capa fantástica.

Depois de sumir por aproximadamente quinze anos, a SEGA ressuscitou Alien Syndrome para a sua coleção SEGA Ages 2500, que foi lançada nos Estados Unidos como parte da SEGA Classics Collection, mas estranhamente esteve ausente da versão européia. Apesar dos primeiros jogos mais antigos deste produto serem conhecidos por serem de baixa qualidade, esta versão de Alien Syndrome é bastante boa. Os gráficos 3D com certeza não são muito bonitos – e às vezes eles são muito escuros – mas eles fazem um trabalho perfeito em simular o visual dos filmes da série Alien. Cada fase tem um vídeo curto da colônia explodindo, sendo mais uma homenagem aos filmes. Apesar dos visuais serem simples (é um jogo barato, afinal) eles fazem bem o serviço. A maior mudança é a inclusão do segundo stick analógico, onde você pode se mover com um stick e atirar com o outro, a la Robotron 2084 e Smash TV. Existem algumas armas novas, incluindo umas granadas inúteis e um tiro mais espalhado, que se consegue ao libertar os reféns. Você também tem uma barra de energia, juntamente com continues infinitos. O ritmo é um pouco mais lento que do jogo arcade,mas parece mais intenso, com mais coisas sendo lançadas contra você de uma vez. A SEGA também aumentou violência do jogo, fazendo os inimigos explodirem num mar de sangue. Apesar dos dois primeiros chefes terem trocado de lugar um com o outro, o resto é bem fiel, e é bacana vê-los renderizados em 3D.

Comparativo

Chefes de Fase – Arcade

Chefes de Fase – Master System

 

Galeria

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s