Entrevista com David Hayter

Originalmente publicado no site Hardcore Gaming 101.


Por John Szczepaniak, Abril de 2012

Entrevista com David Hayter

Apesar de ter uma agenda cheia, o ator e roteirista David Hayter gentilmente cedeu parte de seu tempo para responder todas as minhas perguntas por email, em detalhe. Ele não é apenas um grande ator, ele é um cara realmente divertido, escritor eloquente e alguém que gosta de conversar com os seus fãs. Além disso, caso não tenha visto ainda, David estrelou a adaptação live-action do mangá, Guyver: Dark Hero. Um ótimo filme de monstros com fantásticas cenas de ação – que vale bem à pena ser conferido para vê-lo num papel antes de sua carreira no MGS ou como roteirista.

Nós o contactamos através de seu agente oficial, ao invés da Sony ou da Konami, logo suas respostas não foram vetadas por nenhum terceiro. Muito obrigado à Sarah Freudeman por arranjar tudo isso – estou realmente grato.

Screengrab de Major Dad é cortesia de http://www.davidhayterfans.com

David Hayter – a voz de Solid Snake

JS: Quando você fez o seu primeiro teste para o papel, qual foi a sua reação ao saber que o seu nome seria “Solid Snake”? os papeis já estavam todos definidos ou havia espaço para escolha?

DH: Eu acho que a minha primeira reação foi: “Bem, eu não vou ter que tirar as minhas calças, se é isso que eles estão dizendo.” Eu já estava em Hollywood à alguns anos naquela época, e já passei por situações constrangedoras antes. Minha segunda reação foi algo como “Espero que eles realmente me paguem por esse trabalho.”

JS: Metal Gear Solid 2 foi de várias maneiras uma mudança de paradigma em coparação ao primeiro MGS. Ao trabalhar com o script, você notou alguma diferença no estilo, e este projeto foi mais desafiador?

DH: Nós gravamos o jogo em ordem, o que nem sempre fazemos, então fizemos o episódio do navio-tanque primeiro. Aquilo parecia uma continuação direta do MGS – Otacon e eu estávamos trabalhando juntos em Nova Iorque, uma assassina russa gostosona, e tudo mais. A sequência do pulo da ponte foi super legal. E então… tudo mudou. Aos poucos fui percebendo que eu não era mais o personagem do jogador, e na verdade eu nem estava mais me considerando como sendo o Snake! O jogo foi seguindo por esse caminho, e eu junto com ele, e foi se tornando cada vez mais estranho em cada sequência. Mas apesar disso, eu não posso realmente dizer que eu tinha entendido tudo quando gravamos o primeiro jogo também, logo resolvi depositar a minha confiança no Sr. Kojima, e fiz o meu trabalho da melhor maneira que pude. E no fim das contas, eu adorei jogar o MGS2.

JS: Macacos. Há uma hilária sequência de diálogo no Metal Gear Solid 3 onde você é acordado em sua cama para tranquilizar macacos. Me parece que trabalhar neste projeto deve ter sido bastante divertido. Você tem alguma anedota divertida que você possa nos contar – e alguma delas envolve macacos?

DH: Sabe, trabalhar em todos estes jogos foi muito, muito divertido. Mas á medida que os atores e a equipe de produção se reuniam para cada jogo, isso foi se tornando progressivamente cada vez mais divertido. MGS3 foi super bacana de se gravar. Quando gravamos a sequência “Snake vs. Macaco”, eu tive que dizer “Snake vs. Macaco…” com o escárnio que é a minha marca registrada. Esta deve ter sido a primeira vez que eu tive a permissão de ser satírico e engraçado dentro do jogo como Snake, e isso foi um alívio, depois de alguns anos só sendo engraçado entre as gravações. Eu não me recordo de histórias interessantes relacionadas à macacos no MGS3, mas posso te dizer que assistir horas e horas de motion-capture para o macaco do Drebin no MGS4 – praticado à uma refeição símia por um ator numa roupa de Mo-Cap foi capaz de produzir diversão infinita.

JS: Twin Snakes foi o quarto jogo de MGS em que você esteve envolvido, e foi dito que trazer de volta os atores originais foi resultado de uma recomendação sua. Não é sempre que vemos este nível de comprometimento – você poderia compartilhar conosco suas impressões sobre reprisar um papel anterior?

DH: Bem, eu sempre achei, desde quando eu era bem pequeno, que a voz de qualquer personagem em específico é algo extremamente importante. Quando eles mudaram  a voz do Kermit [N. do T.: Caco, o Sapo dos Muppets], eu percebi. Quando eles mudaram a voz do Pernalonga, eu percebi. logo, quando eles estavam falando sobre regravar o primeiro jogo inteiro para o Twin Snakes, eu achei que era muito importante dar aos fãs daquele incrível jogo uma experiência similar. Eu mesmo havia me tornado um grande fã do jogo naquele momento, então achei que isso seria bom para a experiência do jogo. Além disso, o elenco que conseguimos para o MGS I era fantástico, e eles mereciam voltar.

JS: Metal Gear Solid 4 enfatiza o quão trágica é a linhagem do Solid Snake. Você ficou surpreso ao saber que faria o papel de homem velho que envelhece rapidamente? O final te surpreendeu, ele foi diferente do que você imaginava?

DH: Isso foi trágico. MGS4 foi uma experiência pesada emocionalmente. Eu realmente fiquei com pena do Snake. Eu fiquei sabendo  da sua decrepitude avançada quando eles me ligaram para fazer alguns testes de voz como um homem de setenta anos, e então novamente como um de noventa. Eu pensei  “Hã… O que está havendo? Por que não estou mais na faixa dos 30?” Mas assim que comecei a trabalhar nisso, isso foi tão triste e um final tão emocionante um cara que sacrificou tudo pelo seu país, que eu acabei adorando isso como ferramenta dramática. Eu fiquei um pouco surpreso com o final, já que eu esperava que o   Snake acabasse se esforçando ao extremo até à morte, ao invés de voltar para o rancho para morrer. Mas o jogo é uma obra prima, então dane-se.

JS: Fazem 25 anos desde que o primeiro Metal Gear foi lançado para MSX e NES – está é a razão deste artigo de aniversário. Você mencionou em entrevistas que você terminou todos os jogos da série Metal Gear Solid. Você jogou algum dos antigos jogos em 2D da série, antes do Metal Gear Solid, e o que você acha deles?

DH: Fico envergonhado em dizer isso, mas eu não joguei nenhum destes jogos. Acho que eu não me motivo o suficiente já que não tenho que me ouvir falando por vinte horas ou mais. Dito isso, eu adoro eles.

JS: As pessoas te reconhecem, ou a sua voz, quando você está em público? E qual é a coisa mais estranha, maluca que alguém – ou talvez especificamente algum fã de MGS – já te pediu?

DH: As pessoas me reconhecem de vez em quando. De vez em quando, alguém encontra comigo em uma loja, ou na rua. Eles não costuma reconhecer a minha voz, já que minha voz natural é bem diferente da do Snake. Apesar disso, quando eu vejo alguém usando uma camiseta da Fox-Hound ou algo do gênero, eu limpo minha garganta num jeito bem “Snake”, só para fazer eles olharem para trás. A maioria dos funcionários das lojas de vídeogames reconhecem o meu nome  no meu cartão de crédito.

As pessoas geralmente me pedem para gravar as suas mensagens de correio de voz, o que fico bastante feliz em fazer. O empresário da banda ‘Bright Eyes’ me pediu para gravar um poema, escrito pelo compositor deles, na voz do Snake, para tocar num show, mas eu não sei se eles realmente o fizeram.

E um casal me pediu para me fazer a cerimônia de casamento deles. Não sei se eles queriam a coisa toda feita na voz do Snake, pois eles acabaram cancelando tudo. Isso é que é Fox-Die.

Saudações,

D “Sf’nS” H

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