Entrevista com Masahiro Ueno

Artigo originalmente publicado no site Hardcore Gaming 101.

Por John Szczepaniak, Março de 2012.

Masahiro Ueno, programador do Metal Gear para Famicom

Masahiro Ueno, antigamente na EA

Apesar da versão original do Metal Gear para MSX2 ter sido lançada na Europa, o verdadeiro sucesso no ocidente, e especialmente nos EUA se deu em 1987, com a versão para Famicom/NES. Eu conversei com Masahiro Ueno, ex-funcionário da Konami japonesa, que teve esta difícil tarefa quando tinha apenas 22 anos de idade: “Eu era um recém-formado quando trabalhei em Metal Gear. Na verdade, eu trabalhei primeiro num jogo educacional para o Famicom Disc System, mas ele foi cancelado. Então Metal Gear foi meu segundo projeto, mas meu primeiro jogo lançado. Muraoka-san, que era o diretor de som da franquia Metal Gear, trabalho comigo no projeto para NES.”

Falar com Ueno foi um pouco melancólico, já que ele estava relutante em receber elogios sobre ter feito algo tão importante: “Como você provavelmente sabe, Kojima-san não gosta da versão para NES. Meu time foi encarregado de converter a versão original para MSX2 para o NES em três meses e nós tivemos que fazer algumas mudanças por causa do gerenciamento e das limitações de hardware. Já que Kojima-san não estava envolvido, ele não gostou das mudanças que fizemos; ele não acha que a versão para  NES é um  Metal Gear autêntico. O que eu fiz foi simpplesmente portar o jogo como a gerência mandou, logo eu não mereço nenhum crédito.”

Apesar de Kojima ter criticado publicamente a versão para NES, isto é injusto. Além do grande feito de programar um jogo para NES em três meses, este ainda é um jogo divertido, apesar das mudanças – como um remix mais fácil. É importante ressaltar que foi através da versão de Ueno, não a do Kojima, que criou a base de fãs do ocidente, e acabou levando Kojima à continuar a série.

Eu perguntei à Ueno sobre a área de selva que foi introduzida:“A gerência queria diferenciar a versão para Famicom um pouco, já que a versão para MSX2 já havia sido lançada. Fazer uma  introdução diferente foi o método mais fácil e eficiente para nós fazermos isso, já que só tínhamos três meses.”

A outra grande mudança foi a substituição do Metal Gear como chefe final: “Isto se deu simplesmente por limitação do hardware. Provavelmente teria sido possível implementar o robô se tivéssemos usado um chip [mapper] melhor, como o VRC4, mas ele não estava ainda disponível para nós.”

Apesar de Kojima tentar renegar a versão para NES, isso é algo duro e ingrato. Ela não é tão boa quanto a versão original no MSX2, mas ainda é bem divertida. E o mais importante, se não fosse pelo trabalho de Masahiro Ueno, o primeiro jogo não teria angariado fãs nos EUA, e a Konami não teria feito a equipe de Castlevania III desenvolver Snake’s Revenge especificamente para o mercado americano, o que significa que Kojima jamais teria tido a famosa conversa que o levou à fazer o Metal Gear 2 para o MSX2, e a série teria finalmente acabado em 1987, sem que Metal Gear Solid sequer tivesse sido cogitado.

O crescimento da série nestes primeiros anos foi o resultado de felizes coincidências, e Masahiro Ueno merece nossos agradecimentos e a nossa consideração, por realizar tal tarefa monumental em apenas três meses, recém saído da universidade.

Masahiro Ueno, nós o saudamos.

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