Especial Gradius, Parte 11: Salamander/Life Force

Salamander / Life Force – Arcade / NES / MSX / X68000 / Commodore 64 / Amstrad CPC / Spectrum ZX / PC Engine / Saturn / Playstation / PSP (1986)

Capa do Life Force europeu (NES)

Salamander foi lançado um ano depois do Gradius original, e dois anos antes do Gradius II. Ela não é realmente uma sequência do Gradius, pode-se dizer – ele tem muitos dos mesmos elementos, mas algumas mecânicas do jogo são bastante diferentes. O jogo ainda é estrela do pela Vic Viper (apesar dela parecer um pouco diferente), mas há agora um modo para dois jogadores simultâneos, apresentando uma nave vermelha chamada Lord British. As armas básicas são as mesmas – mísseis, lasers, options e escudos – mas há uma arma nova, o Ripple Laser, que mais tarde seria uma das marcas registradas da série  Gradius. A maior diferença está em como estas armas são obtidas – a barra de seleção de armas foi removida, e os inimigos simplesmente deixam powerups aleatórios para serem coletados.

Salamander (Arcade)

Existem seis fases ao todo, que alternam entre fases de orientação horizontal e vertical. A primeira fase se passa dentro de algum monstro biológico, onde você deve voar por entre dentes mastigantes por dentro do seu corpo, enfrentando um cérebro voador com tentáculos e um olho só (!). A segunda fase é um campo de asteróides monótono, mas a terceira fase se passa em um túnel de fogo, completo com grandes labaredas que explodem em arco. A quarta fase lembra bastante a primeira fase de Gradius, completa com o mesmo estilo de gráficos e inimigos, enquanto a quinta fase é outro campo de asteróides sem graça. A sexta fase é uma base inimiga, novamente parecida com Gradius, onde você enfrenta uma leva inteira de chefes de fase do Gradius, antes de lutar contra umas estátuas moai saltitantes. Como em todos os outros jogos da série Gradius, o chefe final – uma grande esfera vermelha, chamada de Zelos Force – é inofensiva, mas a tela continua a rolar para frente quando você o encontra. Se você não matá-lo antes que ele deixe a tela, você precisará jogar toda a fase novamente. Independentemente de matá-lo ou não, a rolagem da tela acelera, e você precisa se esgueirar por uma série de corredores estreitos para conseguir escapar.

Salamander (Arcade)

Os gráficos de forma geral são fantásticos, e é impressionante o avanço tecnológico que houve em apenas um ano que se passou entre Gradius e Salamander. Os gráficos de fundo são muito mais detalhados, e há mais de um chefe de fase desta vez. Um dos mais memoráveis é o primeiro chefe, um grande cérebro flutuante, com um olho ao centro e tentáculos que se sacodem em direção à sua nave. Há agora uma voz sintetizada que anuncia a arma que você pegou, entre outras coisas, como anunciando o ponto fraco do chefe de fase. Todas as músicas vem de um velho sintetizador FM – em termos de composição são muito boas, mas soam bem fraquinhas.

Salamander (Arcade)

O sistema de checkpoints se foi, então quando você morre, você automaticamente continua de onde parou. Diferente da maioria dos arcades, colocar uma segunda ficha simplesmente te dará mais vidas, até um limite pré-determinado. Jogando sozinho, se acabarem as suas vidas, você não poderá continuar. Entretanto, se você tiver um segundo jogador, você pode continuar indefinidamente até a última fase, onde tudo mais é cortado. Ainda assim, o nível de dificuldade é bem alto nos últimos segmentos do jogo, especialmente contra o chefe da quarta fase. Existem alguns truques para passar por estas áreas, mas elas são absurdamente difíceis, à menos que você tenha um arsenal completo de armas. Gradius sempre te dá a chance de memorizar os padrões dos inimigos, e manobrar entre o fogo inimigo, mas Salamander tem a tendência de inundar a tela completamente com projéteis. A tela rola bem rápido em comparação com os outros jogos da série Gradius, o que também torna as coisas mais difíceis. Pelo menos é mais fácil recuperar o seu arsenal quando você morre, porque você pode pegar os options deixados para trás quando você morreu, e os powerups são mais fáceis de se obter.

Life Force (Arcade)

Quando o jogo foi levado aos Estados Unidos, a Konami teve uma ótima idéia – e se pegássemos a primeira fase do jogo, onde você voa para dentro da boca de um monstro enorme, e transformássemos ela no conceito do jogo inteiro? Ao invés de simplesmente lutar por fases aleatórias, você jogaria uma versão de jogo de nave de Viagem Insólita. Então eles adicionaram uma rápida tela com a história, mudaram alguns gráficos, e chamaram o jogo de Life Force. Eles mantiveram o sistema de powerups e a maioria dos gráficos de Salamander, com exceção dos cenários de espaço sideral, substituindo-o por uma rede de veias, mantendo a impressão de que você ainda estava dentro do corpo de um monstro gigante.

Life Force (Arcade)

Aparentemente alguém achou esta idéia tão brilhante, que pegou o conceito, aplicou ainda mais mudanças, e relançou no Japão, também sob o nome de Life Force. A primeira fase ainda parece a mesma, mas a segunda fase é agora a “fase do rim”, com um visual diferente, e os asteróides substituídos por “cálculos renais”. A terceira fase é agora a “zona do estômago”, e as chamas foram recoloridas de azul para parecer mais com ácido estomacal. A quarta fase é a gora a “zona do fígado” e mal parece diferente. A última fase é basicamente a mesma – eles nem mesmo tentaram fazê-la parece mais biológica. Alguns dos outros chefes e inimigos foram redesenhados para parecer mais orgânicos, mas a maioria permaneceu igual. Existem muitas vozes à mais, que anunciam a fase e fazem vários outros comentários, como gritar “Fire! Fire!” quando você atravessa a membrana que leva ao primeiro chefe. A maioria das músicas permaneceram as mesmas, mas os temas da fases dois, quatro e cinco são diferentes. A Konami também reimplementou o sistema de powerups do Gradius no Life Force. O problema é que eles não rebalancearam como os power orbs aparecem. Agora é muito mais difícil ficar vivo tempo suficiente para obter options ou escudos, onde eles eram muito mais comuns em Salamander.

Life Force (NES)

E isso não pára por aqui: isso se torna ainda mais estranho com a versão para Famicom/NES. No Japão, o jogo se chama Salamander, mas é exatamente o mesmo jogo que foi lançado como Life Force para o NES. O jogo em si é uma combinação dos elementos de ambos os jogos – ele utiliza designs do Salamander dos arcades, mas mantém o sistema de powerups do Life Force dos arcades japoneses. A primeira e a terceira fases são basicamente as mesmas da versão arcade, mas a quarta fase mudou de lugar, se tornando a segunda fase. As novas quarta e quinta fases são completamente novas – uma é outra fase biológica, onde você luta sobre a espinha dorsal e através de uma caixa toráxica gigante, culminando num combate contra uma caveira gigante. A outra se passa numas ruínas egípcias, que não fazem o menor sentido dentro do contexto de se estar voando pelos órgãos de um monstro gigante, mas vai saber… O chefe da terceira fase também mudou – na versão arcade, era um dragão feito de chamas, mas as versões para FC/NES, você só enfrenta a sua cabeça, que agora ocupa uma grande porção da tela. A última fase é quase a mesma, com a exceção de que Zelos agora tem cobras para defendê-lo, e você é enviado de volta várias fases atrás se você não conseguir matá-lo, ao invés de jogar apenas a última fase novamente. Dureza.

Life Force (NES)

De uma forma geral, o jogo ainda é difícil, mas completamente aceitável em comparação com a impiedosa versão arcade. A rolagem é também um pouco mais lenta que no arcade, logo o jogo não é tão agitado. Ele conta com um código para trinta vidas, implementado através do famoso código da Konami, o que o torna possível de ser terminado por novatos em jogos de tiro. No Japão, o cartucho tinha uma carcaça de plástico azul transparente, que permitia que você visse o cartucho por dentro. Ele também tem um final um pouco diferente. Na versão americana, você simplesmente vê a nave escapar do monstro enquanto ele explode, e então o logotipo da Konami aparece enquanto a música final toca. Na versão japonesa, há uma sequência de créditos, com o seu piloto, ainda usando um capacete – aparece no lado da tela. No final, o piloto tira o capacete, revelando que ele na verdade é uma mulher, algo obviamente emprestado do Metroid. Esta mudança provavelmente ocorreu pelo fato da versão japonesa usar um mapper customizado da Konami, enquanto a versão americana utiliza um dos mappers gerais da Nintendo, que talvez não suportasse as mesmas funcionalidades. Alguns outros jogos da Konami, como Contra e Castlevania III, tiveram funcionalidades removidas pelas mesmas razões. A versão japonesa também permite que você tenham três options ao invés de apenas dois.

Life Force (NES)

Os gráficos são bem impressionantes para o NES, e o som em PSG é possivelmente melhor que o sintetizador da versão arcade, mesmo sem a vozes. O modo de dois jogadores está intacto, mas permite que cada jogador tenha apenas dois options. De forma geral, é um port excelente, e um ótimo jogo – um dos melhores jogos de nave do console.

Salamander (MSX)

A versão para PC Engine é bem mais próxima do arcade, com gráficos e jogabilidade quase idênticos. Há uma barra de status na parte de baixo da tela, e a tela precisa rolar um pouco para cima e para baixo para mostrar toda a área de jogo. As músicas são um pouco melhores, apesar de também não ter as vozes. Cada fase agora tem um título de abertura. Esta versão também usa o sistema de checkpoints do Gradius – pelo menos quando se joga sozinho – e é também bem menos difícil que a versão arcade, sendo assim mais jogável. Ela não conta com fases extras, como a maioria das versões da Konami para PC Engine, o que é um pouco decepcionante, mas é preferível à versão para FC/NES se você quiser algo mais próximo do arcade.

Salamander (MSX)

Salamander também recebeu um punhado de versões para computadores pessoais ocidentais, mas não tanto quanto Gradius. A versão para Commodore 64 é bastante notável, por que seu visual é fantástico e a jogabilidade é boa também. Há um pouco de flickering e lentidão, e nela faltam a quarta e quinta fases, assim como o modo para dois jogadores, mas este é um dos melhores jogos de nave para o computador. As versões para Amstrad e Spectrum são idênticas, e não apenas tem um visual horrível, mas são quase impossíveis de controlar, e ruins em todos os aspectos possíveis. Elas também só tem quatro fases.

Salamander (MSX)

A versão para MSX de Salamander foi drasticamente retrabalhada em comparação com todas as outras. As primeiras duas fases são variações das duas primeiras fases do jogo para os arcades, mas as três fases seguintes podem ser jogadas em qualquer ordem. Uma delas é similar à quarta fase dos arcades, mas as outras duas são completamente novas – em uma delas, as luzes acendem e apagam, exigindo que você controle a sua nave no escuro. A última fase é uma varia ção da última fase dos arcades, mas existe um chefe totalmente novo após se derrotar o olho de Zelos.

Salamander (MSX)

Ela também herdou alguns elementos do Gradius 2 do MSX. Para conseguir o final bom, você precisa encontrar “previsões” escondidas em cada fase. Numa pegadinha, a única forma de se chegar ao final verdadeiro é colocando o cartucho do Gradius 2 no segundo slot. Além disso, alguns inimigos deixam cápsulas com a marca “E” – pegue quinze destas e você ganhará uma arma nova. Fazer upgrades em seus lasers é essencial se você quiser achar todas as previsões. Há também um “vídeo” de abertura que explica a história do jogo. Você controla dois pilotos – Iggy Rock, piloto da Sabel Tiger, e Zowie Scott, piloto da Thrasher – defendendo com eles o planeta Latis da terrível Zelos Force.

Salamander (MSX)

Como em quase todos jogos de MSX, a rolagem quadro a quadro torna o jogo brutal, mas é legal ver uma versão diferente do jogo, e ela ainda conta com o modo para dois jogadores, o que é bem impressionante. Ela também aparece de forma emulada nos MSX Antique Packs para PlayStation e Saturn. Estranhamente, ela foi deixada de fora do Salamander Portable Pack para o PSP, em favor do Gradius 2 MSX. As versões arcade do Salamander e do Life Force também aparecem no Salamander Deluxe Pack para PlayStation/Saturn  Salamander Portable para o PSP. Não tem como aumentar o número de continues nas versões para PlayStation/Saturn, logo terminá-las e bem difícil, mas você pode inserir créditos extras na versão do PSP.

Salamander (Arcade)

A nome do jogo em japonês é um trocadilho. O logotipo do jogo em kanji se lê como “SARAMANDAA”, a pronúncia japonesas da palavra inglesa “Salamander”. os kanjis usados forma uma palavra composta que essencialmente significa “Bela e Sedosa Cobra da Areia”. Um trocadilho similar compõe o logotipo japonês do jogo Contra.

Salamander (Arcade)

Veja mais fotos de  Salamander/Life Force na galeria no fim deste artigo.

Vídeos

Salamander (Arcade)

Life Force (Arcade – Japão)

Salamander (NES) – Longplay

Salamander (MSX) – Longplay

Salamander (PC Engine) – Longplay

Salamander (C64) – Longplay (Parte 1)

8-Bit Battles: Salamander

MP3s

Baixe Aqui

Power of Anger (Arcade)
Power of Anger (NES)
Power of Anger (Commodore 64)
Power of Anger (PC Engine)
Fly High (Arcade)
Thunderbolt (Arcade)
Thunderbolt (NES)

Comparativos

Salamander (Arcade)

Salamander (PC Engine)

Salamander (NES)

Salamander (Commodore 64)

Salamander (Amstrad CPC)

Salamander (MSX)

Comparativos – Arcade

Coluna da esquerda: Salamander; coluna do meio: Life Force (versão internacional); coluna da direita: Life Force (versão japonesa):

Galeria

Semana que vem: Salamander 2!

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