Do Outro Lado da Cerca: Space Harrier – Parte 1 de 2

Space Harrier – Arcade / Sega Master System / Turbografx-16/ Famicom / Game Gear / PC DOS / Amiga / Atari ST / ZX Spectrum / Sharp X1 / Commodore 64 / X68000 / 32X / Saturn / Gameboy Advance / Dreamcast / Xbox / PlayStation 2 / Xbox 360 / PlayStation 3 / Wii (1985)

Arcade, SEGA Mark III, Master System e Commodore 64

Game Gear (EUA), SEGA 32X (Europa), ZX Spectrum e PlayStation 2

Game Gear (Japão), Turbografx-16, X68000 e SEGA Saturn

Por Kurt Kalata

Space Harrier é um dos mais rápidos loucos e insanos jogos jamais feitos. Lançado pela SEGA nos arcades em 1985, Space Harrier é um jogo de tiro que abriu mão dos pontos de vista aéreo e lateral da maioria dos jogos, e pôs a visão diretamente atrás do personagem, usando uma tecnologia que a SEGA chamava de “Super Scaler”. Utilizando um manche como se fosse um simulador de vôo, o jogador controlava o “Harrier”, um cara loiro vestindo uma camisa vermelha e calças jeans. Por razões completamente inexplicadas, Harrier pode voar sobre a paisagem à uma velocidade incrível. Armado com um canhão enorme, Harrier simplesmente segue em frente, destruindo as criaturas estranhas e bizarras da Fantasy Zone. A paisagem se movendo velozmente e o scaling de sprites era completamente desconhecidos na metade dos anos 80, e até hoje é um visual impressionante. Alguns jogos utilizam efeitos 3D com simples vetores e polígonos, mas Space Harrier foi um dos primeiros à utilizarem sprites. Juntamente com Hang-On, After Burner e Out Run, SEGA preparou o caminho para os primeiros jogos 3D.

A jogabilidade é bastante simples – apenas voe, desvie e atire de volta. Mesmo apesar de não haver uma mira, mirar é extremamente fácil, já que você só precisa atirar na direção geral de um inimigo para acertá-lo. Os inimigos também atiram em direção ao Harrier, mas enquanto você continuar se movendo e não refazer o caminho para a sua posição anterior, você vai se sair bem. Existem 18 fases ao todo no Space Harrier original, incluindo as fases de bônus e o “Boss Rush” antes do fim do jogo.

Arcade

Space Harrier conquistou a reputação de ter alguns dos mas criativos designs de inimigos já vistos. Harrier enfrenta mamutes com um olho só, lulas bulbosas amarelas, cabeças de pedra, e esferas que parecem amendoins cibernéticos. Entre todos estes inimigos estranho estão outros mais comuns, como caças e robôs voadores, e mesmo estes tem designs muito legais. Mas os inimigos mais impressionantes em Space Harrier são os dragões, geralmente desempenhando o papel de chefes de fase. Cada um deles é composto de uma cabeça e vários segmentos que, em movimento, assemelham-se à longos dragões chineses voadores. E por todo o tempo você estará manobrando Harrier por entre colunas de pedra, postes e todos os tipos de plantas. Enquanto você geralmente só tropeçca em arbustos e pedras, bater em uma árvore à 100 milhas por hora pode causar uma baita dor de cabeça.

Arcade

Os cenários psicodélicos também se tornaram uma das marcas registradas de Space Harrier. O chão consiste um piso plano quadriculado, que muda de cor à cada fase. O céu muda de um azul brilhante para o amarelo do por-do-sol, e até para uma atmosfera roseada de algum planeta alienígena. Ao longe no horizonte se vê edifícios alienígenas e paisagens que deitam e se levantam após o final de cada fase. Algumas fases tem um teto quadriculado, dando uma sensação alucinada de claustrofobia. Manter o controle de Harrier, desviando e atirando no meio desta loucura de cores é o maravilhoso caos que representa o que há de melhor nos jogos arcade dos anos 80. Cada fase tem um título estranho e sem sentido, que ajuda a criar um mundo distinto e memorável para o jogo. Existem também algumas fases de bônus espalhadas pelo jogo, onde Harrier sobe nas costas de um dragão branco chamado Uriah. Apesar de ser dfícil de controlar, Uriah é invencível, e o objetivo é simplesmente destruir o máximo da paisagem quanto possível.

Arcade

A música tema de Space Harrier é uma das minhas músicas favoritas em qualquer vídeo game até hoje – para mim, ela é tão memorável quanto os temas de Mario ou Zelda. Ela só sai de cena durante as lutas contra chefes ou fases de bônus, mas é longa o suficiente para nunca ficar cansativa. Há também a encorajadora voz do narrador, que grita “Welcome to the Fantasy Zone! Get Ready!” ou anuncia “You’re doing great!” ao fim de cada fase. Mesmo depois de morrer, quando Harrier grita em agonia e cai no chão, uma mensagem amiga aparece e diz que “many more battle scenes will soon be available!” Isso é meio enigmático, e aparece ao fim de cada fase.

Arcade

Dada a sua popularidade, é natrural que Space Harrier tenha sido portado para toda a plataforma possível. Infelizmente, devido ao hardware avançado do System-16, não havia console doméstico ou computador capaz de realizar aquele efeito de scalling necessário para emular a sensação de velocidade que tornava o arcade original tão incrível. Não apenas isso, mas o controle analógico teve que ser abandonado em favor do controle digital, o que altera em muito a jogabilidade. A primeira versão para console foi para o próprio Master System da SEGA. O ritmo teve que ser um tanto diminuído para que a máquina de 8 bits desse conta, e o scroll é bem menos fluido. Ainda assim, os inimigos enormes conseguiam ainda ser impressionantes para a éopca, Em sua maior parte, os inimigos e as fases são comparáveis à versão arcade, mas a SEGA adicionou um final chefe final e um final real –  bem melhor que o do arcade, que simplesmente mostrava um enorme texto dizendo “The End”. Também escondido no jogo está a opção de jogar como um avião de caça (que estranhamente se torna humano novamente quando é destruído) e uma mensagem escondida que pede aos jogadores para que escrevam para SEGA dizendo as suas opiniões sobre o jogo. Infelizmente, o endereço fornecido é no Japão, e a mensagem diz que apenas as primeiras 10 pessoas teriam as suas cartas respondidas.

Master System

A SEGA também portou o Space Harrier para o Game Gear, que é bem similar à versão para Master System. Devido ao tamanho menor da tela, algumas proporções do jogo tiveram que ser alteradas, logo o Harrier é bem maior. E talvez por causa da resolução menor, o scroll é um pouco mais suave. Alguns sprites do jogo foram alteradas para parecerem mais orgânicas, e isso torna esta versão do jogo única. Alguns dos  nomes de fase foram alterados também, mas algumas fases foram completamente removidas. A função de senha permite que se pule direto para as fases mais adiantadas. Apesar de rodar no mesmo hardware que o Master System, as músicas foram rearranjadas para soarem um pouco diferente.

Arcade

A Takara portou o Space Harrier para o Famicom, que é inferior à versão para Master System em todos os aspectos. Apesar do scrolling de alguns objetos ser mais suave, Harrier se move de forma incrivelmente lenta, e há muito flickering. Sem contar com o fato de que todos os sprites são menores, o que prejudica o jogo todo. Eles nem mesmo  conseguiram incluir as falas, o que é bem triste. Ele também foi lançado para o Turbografx-16 – que apesar de ser mais fluido que as outras versões, ainda não parece certo, e tem som e apareência um tanto feias. O padrão quadriculado também não está presente nesta versão.

Arcade

Existem também algumas versões para computador –  a versão para Commodore 64 é, naturalmente, bem ruim (mas bastante impressionante para o sistema), assim como a versão para PC-DOS. A versão para Amiga é bastante decente – é mais rápida que qualquer outra versão para console, e por muito tempo foi a melhor disponível. Ela pode ser muito bem controlada com o mouse, também. Entretanto, devido ao seu tamanho, ela teve que ser dividida em dois jogos separados – Space Harrier e Space Harrier: Return to the Fantasy Zone.

Arcade

E só foi no 32X, em 1992, que Space Harrier finalmente recebeu uma versão doméstica fiel à do arcade. Entretanto, já que era um jogo de preço normal, sendo um port de um jogo de sete anos atrás, ela não recebeu muita atenção. Space Harrier também foi lançado como parte da linha SEGA Ages para Saturn. Ela foi lançada em um disco exclusivo no japão, e foi lançada num pacote juntamente com Out Run e After Burner 2 no ocidente. Ela inclui controle analógico real, imitando o arcade original, e apresenta uma trilha sonora em áudio no formato Redbook. Space Harrier também apareceu como logo completo em ambos Shenmue 1 e 2 para Dreamcast e Xbox. Ela perdeu algumas melhorias de outras versões, e você precisa vencer o jogo todo com apenas um crédito. Mas se você for capaz disso, você recebe um certificado do dono do fliperama no Shenmue 1.

Arcade

Space Harrier também chegou ao Game Boy Advance, como parte da coletânea SEGA Arcade Gallery (que até onde sei, não foi lançada no Japão). É uma versão um tanto estranha – apesar de ser visualmente fiel, existem vários detalhes que podem incomodar os jogadores mais veteranos. Falando deles, alguns padrões de inimigos estão diferentes, e algumas animações não parecem estar certas. O “timer” da primeira fase (que te dá vidas infinitas até acabar) também é obrigatório. Apesar de detalhes como estes, esta é uma versão excelente.

PlayStation 2

Finalmente, Space Harrier recebeu um remake no PlayStation 2, sob a série “SEGA Ages 2500”, que apresentava versões refeitas de jogos clássicos da SEGA. Enquanto alguns deste jogos eram horríveis (Golden Axe sendo o pior deles), Space Harrier acabou ficando muito bom. O jogo inteiro foi refeito em polígonos, e apesar de alguns designs serem questionáveis (Harrier recebeu um penteado estranho espetado, e os rostos de pedra são iguais às estátuas Moai), seu visual é bem bacana. Pela primeira vez, há uma verdadeira sensação de escala ao se ultrapassar árvores e outros ítens da paisagem. É definitivamente um jogo de acabamento simples, mas é o que poderíamos esperar de um jogo barato. Existem algumas coisas novas, como escudos, bombas e um laser “lock-on” – nenhum destes pareceu realmente necessário, mas dá ao jogo um ar renovado. Existe também um novo modo chamado “Fractal mode”, que abandona o chão quadriculado em favor de um cenário texturizado. O estranho é que não há opção de se usar o esquema de controle analógico original.

Existem também duas fases novas em túnel, próximas do fim do jogo, que seriam melhores se eles tivessem escolhido usar mais de uma textura de baixa resolução neles. Este modo pode ser desligado se você preferir o visual clássico.Há também um novo narrador, que tem uma coleção inteira de frases idiotas (“Get busy Harrier! Dragon Land is screaming!”), que pode ofender os mais puristas, mas é divertido. A trilha sonora remixada é excelente. De forma geral, este é um bom remake de um jogo clássico. Apesar de ter sido lançado sozinho no Japão, ele foi incluído no “SEGA Classics Collection”, juntamente com outros títulos do SEGA Ages, como Out Run, Fantasy Zone, Columns e (vai entender) Golden Axe. Existem também um port quase perfeito do arcade –  comparável à versão para Saturn, mas com opção para créditos ilimitados – disponível no “Space Harrier II Complete Collection” para o  PlayStation 2. Já que o manche analógino do controle Dual Shock é muito melhor que o do Saturn, está é a melhor opção. Um port da versão do arcade também está incluída no “Sonic’s Ultimate Genesis Collection” para PlayStation 3 e Xbox 360, mas você precisa jogar o Super Thunder Blade para destravá-la. Apesar da jogabilidade ser boa, todo o áudio é muito estridente, fazendo parecer que o narrador inalou hélio, e a música soa estranha. Está também disponível para o Virtual Console do Wii, completo com controles de movimento bem mal implementados.

PlayStation 2

MP3s

Main Theme Arcade
Main Theme Sega Master System
Main Theme Playstation 2
Voice Collection Arcade/SMS/Space Harrier 2

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