Série Dragon Slayer, parte 1 – Dragon Slayer

Artigo originalmente publicado no site Hardcore Gaming 101 e traduzido para o
português por MSX Resources, sob autorização.

Dragon Slayer (capa)

Segundo alguns sites japoneses, o jogo Dragon Slayer da Falcom foi o primeiro RPG de ação japonês. Eu não sei se isso é realmente correto – ele foi lançado em 1984, o mesmo ano em que o infame Tower of Druaga da Namco foi lançado nos fliperamas. Ambos os jogos essencialmente definiram a fundação para séries futuras, como Hydlide, Ys, e é claro, The Legend of Zelda. Ambos jogos são, para os padrões de hoje, exageradamente complicados e quase impossíveis de se jogar. O nome “Dragon Slayer” tornou-se um selo, sob os quais vários jogos futuros da Falcom foram lançados, os quais foram produzidos por um homem chamado Yoshio Kiya. Apesar de estarem conectados por nome, a maioria dos títulos são bem diferentes uns dos outros, apesar de manterem algumas similaridades:

Série Dragon Slayer:
I: Dragon Slayer
II: Xanadu
III: Romancia
IV: Drasle Family (Legacy of the Wizard)
V: Sorcerian (Parte I) | (Parte II)
VI: Legend of Heroes
VII: Lord Monarch
VIII: Legend of Xanadu

Outros:
Legend of Xanadu II
Xanadu Next

O Dragon Slayer original parece um dungeon crawler roguelike, mas as regras são um pouco diferentes. O negócio é seguinte, você é um cara que está preso num dungeon e precisa matar um dragão. Infelizmente, você é praticamente a pior pessoa que qualquer um jamais escolheria para matar um dragão. Você começa o jogo de mãos vazias e um encontro com a mais insignificante das criaturas te mandará direto para a cova. Você pode pegar uma espada, que… não ajuda muita coisa. talvez você consiga matar um zumbi, ou uma ou duas múmias, mas praticamente qualquer outra coisa irá marchar por cima de você. E assim surge a base de todo RPG japonês –  o grinding.

A única maneira de se tornar mais poderoso é explorando o dungeon e encontrando “power stones” espalhadas em cada fase. Ao levar uma power stone para a sua casa (sim, você mora no dungeon, pelo jeito), você irá lentamente aumentar o seu status de Força, e logo poderá matar inimigos um pouco mais fortes. Você também encontrará moedas espalhadas pelo cenário, que aumentarão seu HP quando você voltar para casa. Você tem acesso à algumas magias, mas nenhuma delas serve para fins ofensivos. Elas servem geralmente para quebrar paredes, se teletransportar pelo dungeon, ou mostrar um mapa. Todas as suas magias são movidas por pequenas garrafas que também estão espalhadas pelo lugar. Você também pode encontrar uma cruz, que o protege de ataques, mas não permite que você ataque ninguém; um anel, que permite que você empurre blocos; uma chave, que abre baús de tesouro. Diferentemente de vários jogos deste gênero, as fases não são geradas randomicamente, logo os mesmo objetos aparecem sempre nos mesmos lugares.

Mapa da 1a. fase - Saturn

A pegadinha é que você só pode carregar um item de cada vez, e você não pode pegar mais nada. Você pode estocar moedas e poções mágicas, mas você precisará largar qualquer item que você tem em mãos antes de pegar qualquer outro item. Desnecessário dizer que isso torna praticamente tudo mais difícil – você constantemente terá que largar e pegar coisas, e transportar as power stones uma a uma toma uma tempo monstruoso. Você pode até empurrar sua casa, no caso de achar várias power stones juntas, mas isso não torna o jogo menos tedioso.

E você precisará fazer isso, várias vezes, indo e voltando e indo e voltando, juntando itens e matando inimigos. Existem vários inimigos estranhos – existem os costumeiros morcegos e monstros e tal, mas há também dinossauros, pés desmembrados gigantes, cabeças de Frankenstein, pinguins de aparência amigável, cangurus terríveis, telas de televisão, e outras coisas estranhas. O combate funciona praticamente da mesma forma que nos outros antigos RPGs da Falcom – você esbarra em um inimigo, e continua indo em direção dele, vendo o seu HP e do seu inimigo lentamente diminuindo até zero. Matar inimigos te dá experiência, que até onde pude constatar, determina o máximo de HP que você ganha quando volta para casa (isso pode também afetar as também as magias que você recebe, mas não tenho certeza). É uma guerra de números, e nada mais. Uma das piores coisas que podem acontecer é ficar preso entre dois inimigos nos vários corredores estreitos do labirinto. Todos os inimigos são programados para ir em direção ao seu herói, e se você bloqueado… bem, à menos que você tenha alguma magia, para que você possa se teletransportar ou quebrar uma parede, você está ferrado.

Na verdade, existem várias coisas que podem te ferrar pra valer. Alguns inimigos tiram mais que  só HP – outros sugam magia, experiência, e até força. Acho que não preciso elaborar muito sobre o quanto é chato gastar uma hora carregando power stones para cima e para baixo, se aperfeiçoando quase ao máximo, e ter tudo isso tirado de você em um combate prolongado com um macaco verde. Existem também fantasmas que andam à solta, roubando itens e colocando-os em lugares aleatórios da fase.

Dragon Slayer é o pior tipo de RPG. É o tipo de jogo que é quase hipnotizante por ser tão grande, complicado e difícil, e a “diversão” está em tentar vencer contra todos estes revezes. Mas entre todas estas mazelas sobre coletar itens, mortes aleatórias e falhas bizarras de design, não existe realmente nenhum senso de realização em nada que você faz. No fim das contas, você fica viciado, e então ou você consegue passar de fase ou morre – mas de qualquer forma, você fica se sentindo vazio depois. Não há se quer a fantástica música tradicional da Falcom, – além da dolorosa melodia no começo do jogo, não há trilha sonora. Mas também, Dragon Slayer foi feito em 1984 – o simples fato de assumir o papel de um cara na tela da TV já era a sua própria recompensa.

Dragon Slayer (PC-88)

Dragon Slayer foi inicialmente lançado para o PC-88. Desnecessário dizer que o jogo é bem feio, mas já vi fotos de uma versão diferente, usando uma paleta de cores mais brilhantes. um ano depois o jogo foi portado para o MSX pela Square (sim, aquela Square – este foi um dos primeiros títulos que eles publicaram). Os gráficos foram “melhorados”, assim como os sprites são mais sólidos, mas eles ainda tinham poucas cores. Apesar do gameplay ser basicamente o mesmo, as fases são totalmente diferentes, e praticamente todos os inimigos foram mudados, Existem também vários portais de teletransporte espalhados, o que é bem bizarro. Há um sistema de senha (através do uso de uma magia, na verdade), que permite que você pule as fases.

Dragon Slayer (MSX)

Dragon Slayer foi mais tarde também portado para o Gameboy original em 1991 por uma empresa chamada Epoch. As fases são baseadas na versão para o PC-88, e é praticamente o mesmo jogo. O gráfico monocromático é na verdade uma evolução sobre a versão para computador, mas mesmo assim é ainda bem espartana, e a música de fundo e incrivelmente horrível. Entretanto, seu movimente é absurdamente lento, o que faz desta versão mais impossível de se jogar do que as outras, como se isso fosse possível. Nem tenho certeza se este jogo pode ser terminado antes que as baterias acabem, se você conseguir se sujeitar à este jogo por todo este tempo.

Dragon Slayer (Gameboy)

Dragon Slayer também apareceu na primeira coletânea Falcom Classics para o SEGA Saturn (juntamente com Xanadu e Ys) e novamente, usa a versão para PC-88 como base. Esta é de longe a melhor versão do jogo, já que vários pequenos detalhes foram trabalhados para tornar o jogo mais suportável. Logo no começo, você recebe uma espada, uma chave e uma única power stone, o que pelo menos te coloca nos requisitos mínimos para matar alguns inimigos de nível baixo. Magias podem ser atribuídas aos botões A ou B, o que torna as coisas mais fáceis. Até o combate foi facilitado, logo você não é esmagado tão facilmente quanto antes.  O modo Saturn permite que você ande na diagonal e coloca a barra de status no topo da tela, enquanto o modo Original a mantém na direita. Apesar de alguns sprites não serem tão interessantes quanto na versão para PC-88, existem alguns toques bacanas – após ser queimado pelas chamas do dragão, seu herói fica tostado por uns instantes enquanto anda de forma engraçada. A nova música como era de se esperar fica repetitiva, mas é legal por algum tempo. Mesmo assim, o jogo ainda exige muito grinding, e mesmo com que as melhorias tenham tornado o jogo melhor, deveriam ter tornado os inimigos mais fracos para que se pudesse vencer uma fase em menos de uma hora. Você pode salvar o jogo, mas isso não alivia a dor.

Dragon Slayer (Saturn)

Confira mais fotos de todas as versões do jogo na galeria no fim deste artigo.

Links

Dragon Slayer 1 Site japonês dedicado ao jogo. (OFFLINE)
Game Set Watch – Falcom Classics compilation Um review excelente de todos os três jogos.

Dragon Slayer Gaiden: The Crown of Sleep – Gameboy (1992)

Dragon Slayer Gaiden (Gameboy)

Epoch, os responsáveis pela versão para Gameboy do Dragon Slayer, pelo jeito decidiram licenciá-lo e torná-lo num jogo deles. Dragon Slayer Gaiden é bem diferente do jogo original e é bem mais próximo de um RPG de ação como Final Fantasy Adventure ou Legend of Zelda. Há também um botão de ataque, o que é bem raro para um jogo relacionado à Falcom. Além do fato de que há um dragão á ser morto e que os inimigos surgem de lápides, não há qualquer relação com o original. Fora isso, é um jogo bem decente, mas não muito digno de nota..

Dragon Slayer Gaiden (Gameboy)

Confira mais fotos de Dragon Slayer Gaiden na galeria no fim deste artigo.

Vídeos

Dragon Slayer (PC-88)

Dragon Slayer (MSX)

Dragon Slayer (Gameboy)

Galeria

6 Respostas para “Série Dragon Slayer, parte 1 – Dragon Slayer

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