Do Outro Lado da Cerca: Bem vindo, ZX Spectrum +2

Por Mauro Xavier

Tá aí um micro que eu sempre desejei ter em mãos. Já mexi com o TK90, cansei de jogar emuladores de ZX Spectrum 128K, mas um dia a curiosidade vem a tona, e quem é retromaníaco sabe que emulação é que nem masturbação, parece, mas não é😀

Fiquei esperando a oportunidade certa, afinal, quem investe em equipamentos antigos precisa saber onde está colocando os pés. Então em uma conversa com o amigo Claudio Moisés acabei descobrindo que ele tinha um ZX Spectrum +2 preto para vender, não pensei duas vezes e pedi alguns detalhes. Droga de fotos, foi impossível dizer não.

Primeira impressão

Quando ele chegou fiquei parecendo criança (pra variar). Ao abrir o pacote fiquei maravilhado com o seu tamanho pequeno e estilo único, comparei lado a lado e o ZX Spectrum +2 inteiro é quase do tamanho de um teclado de PC, só que mais alto.

Por isso é que digo que para comprar coisas antigas, a gente tem que saber de quem. É fantástico o estado deste equipamento e mais uma vez faz jus a reputação do amigo Claudio Moisés (ele merece os créditos).

Modificações iniciais

O ZX Spectrum +2 me foi oferecido sem a fonte, algo comum principalmente em máquinas importadas pois o peso da fonte deixa o frete mais caro. Mas isso não foi um problema, já que o Claudio me enviou um adaptador de sua autoria que permite ligar o micro diretamente em fontes ATX:

Ainda por cima recebi o micro com uma alteração para saída de vídeo composto bem peculiar, onde o Claudio colocou uma chave para escolher entre a saída via RF ou vídeo composto, mantendo a possibilidade em utilizar o padrão de imagem original do equipamento.

O circuito todo foi colocado dentro de uma borracha para isolar da caixa RF. O projeto foi baseado no circuito da página do Victor Trucco. Sinceramente ainda não tinha visto esta variação com interruptor RF / composto, o resultado ficou muito bem feito e ainda dá pra fechar a caixa de metal sem problemas.

O Claudio também queria me entregar o micro com uma saída de som estéreo, mas no meio da modificação pedi apenas para manter os conectores RCA presentes, pois eu tinha uma outra intenção.

Na verdade utilizei os conectores RCA para criar uma saída mono de áudio do processador de som mixado com o beeper, sem passar pelo filtro e amplificação, apresentando um som mais puro (pelo menos foi a impressão que tive).

No outro conector fiz uma entrada EAR para carregar os jogos, também sem passar pelos filtros com uma comunicação direta com a ULA a fim de melhorar a performance do “turbo loading” (exemplo). Estas modificações vocês verão em detalhes em um novo post em breve, incluindo dicas para um carregamento mais rápido (ainda estou testando e criando uma tabela).

Comparações e testes

Sinceramente, o som do ZX Spectrum +2 me pareceu um pouco diferente do MSX, não sei exatamente em quê. Estes micros usam o mesmo processador de som (AY-3-8910 ou 8912), portanto deveriam agir de forma idêntica, mas não é o que notei. Talvez seja porque os programadores de ZX Spectrum devam usar o hardware de outra forma, pois muitas composições dos jogos pareciam músicas da “demoscene” do MSX, com aquelas jogadas rápidas de tom e boa simulação de bateria, coisa mais rara nos jogos de MSX na época.

Também aproveitei para testar algumas coisas e verificar os comentários que eu lia nas revistas de MSX na época. Por exemplo, algumas conversões de jogos de ZX Spectrum que eram feitas para MSX ficavam inferiores, será?

Pois é, lamento aos amantes de MSX (ao qual me incluo), mas afirmo que os jogos que foram portados de ZX Spectrum perderam muito.

Posso citar aqui um jogo conhecido: Robocop. Ao jogar percebi imediatamente que o vídeo é mais rápido e liso, os comandos respondem um pouco melhor (mas também não são perfeitos), as músicas não tem canais interrompidos pelos efeitos sonoros e há a presença de vozes digitalizadas com excelente qualidade. Neste caso ponto para o ZX Spectrum:

Ao ligar a TV achei um pouco estranho as bordas muito acentuadas, nos emuladores elas não são tão grandes assim, então resolvi pegar este vídeo do Youtube que mostra as bordas exatamente do jeito que é visto no hardware real.

Vamos agora seguir o caminho contrário. O famoso jogo “Auf Wiedersehen Monty”, (aquele da topeira que dança break), no ZX Spectrum (com 128Kb) a música e jogabilidade são idênticas ao MSX, mas os personagens são todos monocromáticos e o clássico “efeito colour crash” marca presença (que na verdade eu até gosto). Ponto para o MSX, que tem os sprites coloridos e nada de borrão nas cores.

Fiz estas comparações de forma imparcial apenas por curiosidade, já que estas plataformas são tecnicamente muito parecidas.  Vale lembrar que não desmereço nenhuma plataforma retrô e não gosto de comparações fanáticas descabidas.

Enfim, foi uma excelente aquisição e poderei agora me deliciar com os grandes clássicos do ZX Spectrum, que mais uma vez digo com convicção… NADA COMO O HARDWARE REAL.

Obs.: Não fique triste, vou voltar a falar mais dele… Enquanto isso, confira em meu álbum do Picasa algumas FOTOS SENSUAIS do ZX Spectrum +2.

P.S.: Não deixe de conferir o post Turbo loading no ZX Spectrum: Desbravando o caminho das pedras na Casa dos Nerds, onde o Mauro testa o carregamento rápido de jogos em casette🙂

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