Do Outro Lado da Cerca: Philips Odyssey


Quem viveu no começo dos anos 80 bem lembra que o primeiro “bairrismo” dos vídeogames aqui no Brasil não foi a competição entre Nintendo e Sega, mas sim o duelo entre o Atari (2600) da Gradiente e o Odyssey da Philips.

O vídeogame que conhecemos aqui no Brasil como Odyssey, lançado pela Philips em 1983, é na verdade o Odyssey 2 da Magnavox americana (ou Odyssey², segundo os mais puristas), lançado em 1981.

Caixa do Philips Odyssey

A marca Odyssey se refere á uma série de consoles criados pela Magnavox, cujo o Odyssey² é apenas um deles, o último da série. Pra quem não sabe, o primeiro Odyssey da Magnavox foi lançado em 1972, sendo o primeiro vídeogame da história. A Magnavox lançou vários modelos do Odyssey ano a ano, desde 1972 até 1978, quando lançou o Odyssey² – isso mesmo, nosso Odyssey foi lançado com 5 anos de atraso aqui no Brasil…

A Philips adquiriu a Magnavox em 1974, por isso a nossa versão é da Philips, e não da Magnavox. A Philips manteve o nome Magnavox nos modelos lançados nos Estados Unidos depois de 1974, já que a franquia Odyssey já tinha uma forte ligação com o nome Magnavox por lá. Mas como já tinham a fama por aqui, resolveram lançá-lo sob sua própria bandeira. O nome perdeu o “2”, já aqui no Brasil apenas o primeiro modelo do Odyssey havia sido lançado e vendido pouquíssimas unidades, logo não havia a necessidade de uma continuidade.

O hardware do Odyssey era absurdamente fraco para os padrões do que vimos em 8 bits nos anos 80, com um processador Intel 8048 rodando a 1,79 MHz, e apenas 64 bytes de RAM (bytes, não kBytes!) e 128 bytes compartilhados entre áudio e vídeo. Ele podia exibir apenas 8 cores de uma paleta fixa de 16, 4 sprites e 12 caracteres simultâneos (!)

No Brasil, vários de seus jogos tiveram seus nomes traduzidos – coisa fácil, já que os jogos praticamente não possuíam quaisquer textos na tela que pudesse ou precisasse ser traduzido, logo traduzir os nomes era o suficiente para “localizar” os jogos. Alguns exemplos são:

  • Abelhas Assassinas! (Killer Bees!)
  • Alien! (Alien Invaders – Plus!)
  • Barão Vermelho! (Air Battle)
  • Come-Come! (KC’s Krazy Chase)
  • Didi na Mina Encantada! (Pick Axe Pete!)
  • Golfe! (Computer Golf!)
  • Serpente do Poder (Power Lords)
  • Senhor das Trevas! (Attack of the Time Lord!)
E não, não é engano ou exagero meu, todos estes pontos de exclamação estão tanto nos nomes brasileiros como nos originais, podem conferir. Deve se tratar de alguma estratégia de marketing para fazer os jogos soarem mais empolgantes😉

Propagando do jogo Come-Come

O Odyssey até que teve um razoável sucesso no mundo todo, exceto no Japão, apesar de possuir gráficos piores que do Atari 2600 e uma biblioteca de títulos bem reduzida, mas  o que o Odyssey faltava em gráficos, entregava em complexidade, com os jogos com suporte a teclado.  Por exemplo, um jogo muito interessante é o Comando Noturno (curiosamente só lançado no Brasil), que era uma simulador de vôo bastante completo, usando quase todo o teclado, e precisando do manual ao lado para referência. E ainda existem os jogos matemáticos e com palavras, que apesar de parecer bobos hoje em dia, eram muito interessantes na época, e práticos de se jogar com o teclado – tais tipos de jogos não seria possíveis no Atari 2600.

Comando Noturno

Odyssey 3

Em 1983, a Philips pretendia lançar um sucessor do Odyssey², que seria chamado “Odyssey 3 Command Center”. O nome vem de um conceito interessante: o teclado teria suporte à overlays (gabaritos para se colocar sobre o teclado, indicando a função das teclas), e poderia se encaixar os dois joysticks nele, de forma que um jogador poderia usar os dois joysticks simultaneamente, como se o console fosse um “centro de comando” integrado. Mas ao apresentar o protótipo na CES daquele ano, ficou claro que o novo console não seria páreo para a concorrência da época, logo cancelaram o projeto. Além do mais, o crash dos vídeo-games de 1983 não tornava o mercado nem um pouco propício para um novo lançamento. Clique aqui para ver o vídeo de apresentação do Odyssey 3.

Apesar disso, o Odyssey 3 ainda veria a luz do dia na Europa, sob uma roupagem: por lá foi lançado com o nome de Videopac + G7400 (o Odyssey² era chamado de Videopac G7000 na Europa). O G7400, apesar de contar com o hardware do Odyssey 3, possuía outro tipo de gabinete, que não permitia a acoplagem dos joysticks, seguindo um design mais próximo do G7000. Como os joysticks não eram acopláveis, o design original do controle foi mantido.

Philips Videopac + G7400

O G7400 aceitava 3 tipos de jogos:

  • Jogos do Videopac G7000 – o sistema era retro-compatível com todos os jogos da plataforma anterior;
  • Jogos de novos de Videopac com melhorias exclusivas para o G7400 – estes jogos rodam normalmente no G7000, mas apresentam backgrounds coloridos e outras melhorias, se usados no G7400. Estes jogos se tratavam de títulos novos, e remakes de jogos anteriores;
  • Jogos exclusivos para Videopac G7400 – estes jogos contam com gráficos melhorados para G7400, mas não são compatíveis com o G7000.

Emulação

Apesar do Odyssey não ser ainda tão raro ou caro hoje em dia, você não precisa adquirir um para experimentar ou matar a saudade (sem contar que hoje em dia as chances de você ainda ter uma TV com entrada RF são poucas). Dè uma olhada no emulador O2EM, que permite que você experimento as melhorias gráficas dos Videopac + 67400 e expansões, como o Voice.

Fontes: Wikipedia (1), (2), The Odyssey² Homepage!Videopac.orgWikia Gaming, UOL Jogos

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