Do Outro Lado da Cerca: Ai Senshi Nicol (1987, FDS)

Por David Low

Capa de Ai Senshi Nicol

Correndo o risco de repetir o óbvio, o que acontecia com a Konami nos anos 80? Diferente da empresa de hoje em dia, que não pensa duas vezes antes de terceirizar um jogo, no Nintendinho eles eram uma máquina de criar franquias, e apesar de umas bolas fora aqui e ali, sua produção era tão consistente que impressiona.

Quando você dá uma boa olhada, dificilmente você percebe de primeira as sprites mais bonitas e menores e os tiles mais quadrados. Pense nos pisos levemente isométricos do Contra, e a literal construção em “blocos” da maioria do Castlevania. Mas com um estilo “in-house” forte e consistente (incluindo  seus característicos personagens “sem rosto”), as melhores músicas daquela época, ótimos controles e um design de fases fantástico, além um elemento secreto que juntava tudo isso, um jogo para NES da Konami sempre era maior que a soma de suas partes. Mesmo seus jogos mais fracos pareciam se beneficiar de uma boa combinação dos ítens mencionados. Seus jogos eram criados de uma forma que praticamente nenhum outro estúdio podia replicar. Até as suas embalagens e apresentação eram consistentes e de alta qualidade,, todos os jogos tinham grandes logotipos e telas de abertura, e um excelente estilo artístico anos 70 de filmes de ação e fantasia nas artes das capas, que realmente capturavam o espírito de cada título. No ocidente eles até consolidaram a sua linha com simples e belas caixas prateadas para todos os seus títulos (excluindo os títulos dos selos alternativos Ultra/Palcom).

Enquanto muitos jogadores ocidentais desfrutavam os lançamentos da Konami para NES, houveram vários jogos que não saíram do Japão por uma razão ou outra. A Nintendo limitava o número de jogos que podiam ser lançados por empresas terceiras, e mesmo com a Konami aliviando o problema com o selo Ultra, ela ainda deixou vários títulos no Japão. Em alguns casos, eles estavam entre as melhores produções da Konami. Jogar estes clássicos perdidos pode ser uma experiência realmente memorável, o único problema é que você precisará de um Famicom Disk System para jogar a maioria deles.

Nós já falamos sobre um dos meus favoritos, Almana No Kiseki, que seguia as linhas dos jogos da série Castlevania, mas com um tema Indiana Jones.Hoje vamos dar uma olhada em Ai Senshi Nicol, ou “Love Warrior Nicol”, que é mais parecido com um jogo das séries Zelda ou Goemon. Ai Senshi Nicol conta a história de Nicol, cuja a sua amada Stella foi raptada por um alien parecido com um Metroid enquanto estavam num passeio romântico, o que é contado em uma sequência de abertura com uma pontuação hilária em Engrish. Por causa disso, Nicol decide enfrentar a raça invasora inteira para salvar Stella, o que significa que ele deve navegar por várias fases em labirinto, coletando powerups e acionando switches para progredir. Seu objetivo em cada fase é coletar trê diamantes diferentes para acionar o seu hovercraft para levá-lo à próxima fase, e muitas deles são, naturalmente guardados por chefes.

De maneira geral, jogo tem uma jogabilidade muito parecida com as sequências de solo de Blaster Master, exceto que conta com design e controles melhores. Cada fase é estruturada com um labirinto do Zelda, com telas rolantes e tudo mais, onde você deve explorar cada caminho disponível metodicamente para descobrir coisas escondidas e abrir o próximo caminho. Mas ele é todo ação, com praticamente nenhum quebra-cabeça de blocos à vista. Assim como em Metroid, vários powerups tem a função dupla de te dar poder extra ou defesa, enquanto também serve de “chave”para abrir um novo caminho, como uma arma que destrói um certo tipo de bloco, ou calçados que fazem você pular mais longe.

Em cada fase, existem abismos que ao cair neles, te levarão à uma seção subterrânea repleta de lagos de lava/veneno pela qual você deve achar o seu caminho. Ao mesmo tempo que elas servem de “armadilhas” para pulos mal-executados, elas também fazem parte da fase e podem conter ítens. Uma boa porcentagem dos powerups opcionais está escondida em blocos aleatórios, logo você precisará atirar em tudo para acha um upgrade para a sua arma.

Os controles são simples e precisos, com controle direcional em oito direçõe respondendo bem aos seus comandos, e os pulos em particular são bem controlados para um jogo de visão aérea. Os inimigos são geralmente fácies de lidar, você só precisa ter paciência e atirar no tempo certo, e como você poderia esperar da Konami, os chefes são complicados de se lidar na primeira visita, mas assim que voc~e aprende o seu padrão, você consegue passar por eles sem nenhum arranhão.

Apesar de ser difícil de se per nas primeiras fases, à medida que o jogo avança, as fases vão ficando maiores e mais envolventes, e você ficará empacado, imaginando para onde ir, e isso pode ser frustrante já que a sua barra de energia vai sendo consumida pelos inimigos que renascem eternamente enquanto você visita a mesma área pela quita vez ou mais. mas uma vez que você aprende uma fase você será capaz de correr facilmente opor ela na próxima vez.

Como você pode ver nos screenshots, Nicol é um jogo de Famicom com visuais fantásticos. O estilo colorido de desenho animado é executado com um apompa e é tecnicamente bem avançado para a época – apesar do jogo ter sido lançado em 1987, ele realmente parece um jogo de 8bits mais moderno. Cada fase tem um tema consistente, representando os estilos dos anos 80 para arquitetura industrial futurista. O trabalho com sprites é ótimo, e há apenas um pouco de flickering, e os chefes são satisfatoriamente grandes.

Como você poderia esperar de um jogo da Konami, a música também é fantástica. Utilizando os canais extras de som do FDS para maior efeito, a grudenta e alegre trilha sonora não fica devendo nada para as melhores do console. Ela não tem aquele estilo incansável que caracteriza as trilhas sonoras de vários dos jogos de ação da Konami, mas ao invés disso casa melhor com os estilo de desenho animado, com passagens mais leves. O que a diferencia são os grandes sons de sintetizador do FDS, que dão à ela um grande clima de ação.

É realmente uma pena que Nicol nunca foi lançado no ocidente. É um jogo muito bem executado, com ótimos gráficos,e teria tido grande apelo entre as crianças ocidentais. Não há qualquer barreira de idioma, já que tudo está em inglês, então fique à vontade para conseguir uma cópia para o seu FDS ou emulador compatível com FDS (certifique-se de que ele suporta os canais extras de som) e dê uma chance à este clássico perdido.

Confira mais fotos de Ai Senshi Nicol na galeia ao fim deste artigo.

Vídeos

Playthrough – Parte 1

Playthrough – Parte 2

Playthrough – Parte 3

Playthrough – Parte 4

Links

tsr’s NES Archive – uma breve olhada neste jogo por este site lendário.

MP3s

Baixe Aqui

Fighting Nicol, Soldier of Love
It Fights! Believe in the Power of Love

Galeria

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